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Uma História de Inteligência Emocional

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Um dos principais objetivos que levaram ao «nascimento» e desenvolvimento do conceito de “inteligência emocional” era perceber porque é que algumas pessoas conseguiam ser tão inteligentes nalguns campos, nomeadamente na sua inteligência académica, e tão fracas noutros, nomeadamente na inteligência social e emocional.


Devido a esta diferença, os especialistas concluíram que não existe uma única inteligência.
Podemos ser muito inteligentes academicamente, isto é, ter um QI elevado, mas ter um QE baixo, porque ter um QI elevado não significa, por sua vez, ter também um QE elevado.


Uma inteligência não está correlacionada com a outra. O que acontece, na maior parte dos casos, é que as pessoas com um QI muito elevado descuram trabalhar o seu QE, uma vez que, como a concretização de objetivos é para essas pessoas mais fácil, nomeadamente na parte académica, acabam por não sentir necessidade de trabalhar a sua parte pessoal e emocional, ou seja, as competências emocionais.


Contudo, na maior parte das vezes, é na fase adulta que esta descompensação de inteligências se começa a fazer sentir.

O stresse do trabalho, a vida pessoal, a vida familiar e os acontecimentos negativos que vão surgindo ao longo da nossa vida requerem um domínio social e emocional que, se não for treinado e trabalhado, irá gerar resultados desastrosos.


Para compreenderes com mais facilidade a importância da inteligência emocional e da necessidade de termos um bom QE, vou contar-te a história do João e do Pedro, duas personagens fictícias a desempenhar papéis diferentes entre si que, decerto, te farão recordar uma ou outra pessoa que conheces.


Atenção, esta história é um sketch, por isso irei fazer alguns exageros, de forma a ilustrar o meu ponto de vista.


A primeira história é do João que tem um QI elevado e QE reduzido

O João nasceu com um QI elevado, mas com um QE baixo. Desde logo foi considerado um génio que tinha tudo para ter sucesso. Começou a falar e a escrever muito cedo e, quando entrou para a escola primária, destacou-se logo dos outros meninos.


Sempre foi o melhor aluno da turma e da escola. Os professores adoravam o João. No entanto, o João não sabia relacionar-se muito bem, era um miúdo que ficava mais afastado dos outros, ninguém queria brincar com ele e as meninas também não se aproximavam muito.


Os anos foram passando e o João ia sempre batendo recordes académicos, sempre o melhor aluno da escola; simultaneamente, a parte pessoal sofria, visto que não tinha muita vida social, nem namorada.


Chegou à faculdade e acabou o curso com média de 19: o melhor aluno e o topo no âmbito nacional. Com esta média, inúmeras empresas da área do João se apressaram a enviar-lhe propostas de trabalho. Com naturalidade, o João escolheu a melhor empresa, com o melhor salário e a melhor posição.
Entretanto, acabou por conhecer uma rapariga, casou-se e teve um filho. Se a história acabasse aqui, faria lembrar os filmes da Disney, em que viveram felizes para sempre. Mas não, não acaba aqui.


O João é tecnicamente perfeito, domina a sua função mais do que qualquer colega, mas a sua falta de competências pessoais começa a fazer estragos, tanto no trabalho como em casa. No trabalho, o João não se dá com quase ninguém, pois não sabe relacionar-se bem.


Trabalha 12 horas por dia, visto que é bom naquilo que faz e se sente confortável a executar a sua função, mas a parte familiar começa a sofrer. Passa pouco tempo em casa e, quando chega, não percebe que a sua mulher quer passar tempo de qualidade com ele, não reconhece as emoções dela e não consegue fazer a sua leitura.


O mesmo se passa com o filho. O filho de João joga futebol e o João nunca vai ver os seus jogos, porque não tem tempo. Entretanto, por o João ser dedicado ao seu trabalho e bom naquilo que faz, o chefe promove-o a líder de equipa.


A princípio, a ideia parece ser boa, porque ganha mais responsabilidades e mais dinheiro, mas… há um problema. O João não sabe relacionar-se, nem consegue reconhecer as emoções das pessoas à sua volta, e ser líder de uma equipa significa ter pessoas a trabalhar com ele.


A falta de competências pessoais começa a fazer-se sentir. Em vez de um líder, o João torna-se um chefe. Impõe ordens, não reconhece as necessidades dos seus colaboradores, não os apoia, apenas exige que as suas ordens sejam executadas e não permite erros.


Este tipo de gestão começa a causar estragos, a equipa começa a baixar a produtividade e, ao fim de algum tempo, o chefe do João exige esclarecimentos. Mas como o João não sabe gerir as emoções, nem sabe continuar a motivar-se para ultrapassar esta adversidade, entra em choque.
Quando chega a casa, não consegue separar a vida familiar da profissional e descarrega na mulher e no filho. Como a relação já não ia bem, a mulher decide pedir o divórcio e sair de casa com o filho.


Com isto, o stresse, que já era elevado, chega a um nível insuportável, começando a pôr em causa a saúde física e mental do João, que acaba por entrar num quadro depressivo e pede baixa médica.


Esta é a história do João, uma pessoa com um QI elevado, mas que, ao ter um QE baixo, acabou por não ter a vida que todos antecipavam, muito pelo contrário.


Agora vou contar a história de outra personagem, que é o Pedro

Ao contrário do João, o Pedro tem um QI mais reduzido, mas um QE elevado.


O Pedro quando nasceu era apenas mais um miúdo normal no meio de tantos outros. Na escola, nunca se destacou em nada específico e sempre foi aquele miúdo que ia passando «à rasca». Mas nos intervalos e fora da escola era «um rei».


Relacionava-se com todos os miúdos e todos queriam brincar com ele.
Os anos vão passando e o Pedro está sempre rodeado de amigos, a aproveitar o melhor que a vida tem para lhe oferecer e a namoriscar.


Entretanto, entra para a faculdade, na última opção, já que a média não permitiu mais, e vai passando sempre com algumas dificuldades, acabando o curso com média de 10.


Com esta média, dificilmente alguma empresa quer o Pedro. Mas como ele possui uma resistência acima da média, uma capacidade de automotivação elevada, acaba por encarar a situação como um desafio.


Todos os dias, o Pedro envia dezenas de currículos. Passam-se semanas, meses, e, mesmo sem conseguir nenhuma entrevista, ele não desiste.
A motivação faz o Pedro continuar e continuar, dia após dia. Passado algum tempo, finalmente consegue uma entrevista e, como tem uma elevada capacidade de se relacionar, de ganhar empatia e de comunicar, o entrevistador adora-o e contrata-o.


Agora com um trabalho, o Pedro casa-se com a namorada e tem um filho.
No trabalho, todos o adoram. Relaciona-se bem com a chefia e com os seus colegas e está sempre a incentivá-los. Em casa, reconhece as emoções da mulher e do filho, passa tempo de qualidade com ambos e faz florescer o casamento, assim como a relação com o filho.


Entretanto, a crise abate-se sobre a empresa. Os chefes de departamento exigem cada vez mais resultados a todos os funcionários e a possibilidade de perda do emprego paira no ar. A maioria dos funcionários entra em desespero, mas o Pedro mantém-se calmo, pois tem um autocontrolo acima da média, reconhece e gere bem as suas emoções.


Esta capacidade, aliada ao seu forte relacionamento pessoal e empatia, consegue motivar os seus colegas para ultrapassarem esta crise e conseguirem melhores resultados. O Pedro não desiste, continua a motivar-se e a motivar os outros e os resultados começam a melhorar.


Vendo isto, o chefe não tem dúvidas nenhumas e convida-o a ser líder de equipa. E é como um peixe dentro de água. É um verdadeiro líder, antecipa as necessidades dos seus colaboradores, está sempre junto deles, elogia-os, recompensa-os, ouve-os e motiva-os.


E os resultados continuam a subir. É um sucesso como líder.


Esta é a história do Pedro, uma pessoa com um QI baixo, mas que, ao ter um QE elevado, conseguiu ter uma vida profissional e familiar de sucesso, embora muitas pessoas julgassem que ele não ia chegar a lado nenhum na vida.


Reforço novamente que estas duas histórias são apenas um sketch. Aliás, ter um QI mais elevado é essencial para algumas funções e se tivermos um QI muito baixo também teremos dificuldade em desenvolver algumas competências sociais e emocionais.


Da mesma forma, existe já alguma investigação que mostra a correlação positiva que existe entre uma boa inteligência emocional e o sucesso académico.

Então, embora no sketch o Pedro tenha passado à rasca, na vida real estas competências aumentam o nosso sucesso académico.


Então não quero demonstrar que uma pessoa com um QI elevado tem um QE baixo e vice-versa. Uma coisa não implica a outra.

Aliás, se tivermos um QI e um QE elevados, a vida torna-se muito mais fácil.


O que quero demonstrar com esta história é a importância que a inteligência emocional tem na nossa vida.

Podemos ser os melhores tecnicamente, uns verdadeiros génios na nossa área, mas, se não tivermos a capacidade de reconhecer e gerir as nossas emoções, de nos motivarmos continuadamente, de reconhecer as emoções das pessoas à nossa volta e de nos relacionarmos, a vida irá tornar-se muito mais difícil.

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