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Autoconsciência: A Pedra Pilar da Inteligência Emocional

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A autoconsciência é a pedra pilar da inteligência emocional, porque nós não conseguimos controlar aquilo que não compreendemos.


Trabalho com clientes que muitas vezes me dizem que não têm tempo para treinar a inteligência emocional e aprofundar os seus níveis de autoconsciência. Dizem que apenas querem algum truque ou técnica para quando estiverem quase a explodir, utilizar.


Claro que existem técnicas que podemos utilizar para conter algumas reações mais explosivas. O problema é que se eu não entender porque é que explodi, vou explodir novamente.


Paralelismo da falta de autoconsciência para a nossa vida profissional.


Imagina que começas um novo trabalho em que não te ensinam como é que as coisas funcionam, com quem é que deves falar quando tiveres dúvidas e como fazer o teu trabalho.


O que é que irá acontecer?
Vais de certeza fazer o teu trabalho pior, errar muito mais e demorar muito mais tempo até entenderes como é que as coisas funcionam.


E podes não entender como é que as coisas poderiam ser feitas da melhor forma, porque não te disseram como é que elas funcionavam.


No entanto, se tirassem tempo para desenvolver a tua autoconsciência, ou seja, se tirarem um tempo inicial para te ensinarem os procedimentos, com quem falar, como fazer as coisas e o motivo de serem feitas dessa forma, vais fazer muito melhor e até podes melhorar algumas ideias, porque entendes o funcionamento.


Então, mais uma vez, não conseguimos controlar aquilo que não compreendemos, pelo menos não tão eficazmente.


E o que é exatamente a Autoconsciência?


A Autoconsciência envolve monitorizar os nossos pensamentos, emoções e crenças.


É a capacidade de estarmos atentos a diferentes aspetos do “self” e é um estado psicológico em que o próprio se torna o foco da sua atenção.


Como diz o provérbio Africano:
“Se não existir um inimigo interior, o inimigo exterior não nos consegue fazer mal”.


Se nos conhecermos bem, se entendermos as nossas reações emocionais, os nossos gatilhos, o que nos move, como fazer para aumentar as nossas emoções positivas e regular as nossas emoções negativas (ou mesmo intensificá-las, se for necessário), conseguimos ter uma resposta muito mais ativa sobre o meio que nos envolve, não sendo tão afetados pelo mesmo.


A nossa capacidade de refletir sobre nós próprios facilita a navegação no meio social.

Uma das vantagens de trabalhar a nossa autoconsciência, liga-se a uma melhoria na nossa autorregulação.


Porque para aplicar estratégias de regulação emocional eficazmente, precisamos de estar conscientes que aspetos precisam ser modificados.


Habitualmente os psicólogos separam a Autoconsciência em dois tipos diferentes: Autoconsciência Pública e Autoconsciência Privada.


A Autoconsciência Pública dá-se quando estamos focados na forma como parecemos aos olhos das outras pessoas.


É por causa deste tipo de autoconsciência, que temos tendência a aderir e a respeitar as normas sociais, porque quando estamos conscientes que estamos a ser observados e avaliados, tentamos comportarmo-nos de formas mais socialmente desejáveis.


Por isso temos certos comportamentos em privado, quando ninguém nos está a observar, que dificilmente teríamos em público.


Se por um lado, esta autoconsciência nos traz algumas vantagens, nomeadamente a inclusão no meio social, também nos pode levar a estados emocionais de ansiedade, preocupação e stress, pela forma como pensamos que estamos a ser avaliados e percecionados pelas outras pessoas.


Por outro lado, a Autoconsciência Privada acontece quando estamos conscientes dos nossos aspetos interiores.


Ou seja, quando ficamos mais introspetivos e analisamos o nosso “self” e as nossas emoções.


As vantagens de uma maior Autoconsciência Privada, é que estamos mais ligados aos nossos valores, tomando decisões que vão ao encontro dos mesmos e analisamos mais os nossos estados emocionais.


Por outro lado, podemos ficar hipersensíveis por estarmos demasiado focados em nós, aumentando os níveis de ansiedade.


Então, devemos desenvolver a nossa Autoconsciência, mas também é importante estarmos atentos ao meio que nos rodeia.


Imagina que estás a trabalhar, sentado na secretária, a rever um documento que o teu chefe pediu. Estás a sentir algum stress porque existem prazos curtos para cumprir, vários e-mails para responder, estás a passar por algumas dificuldades financeiras e não comes há algumas horas.


No entanto, não estás consciente destes sinais fisiológicos e emocionais e do impacto que estes pensamentos estão a ter em ti.

Entretanto o telefone toca e é um cliente a reclamar que ainda não recebeu o e-mail que tinha pedido com uma proposta. E de repente, o teu ritmo cardíaco começa a acelerar, a respiração fica mais rápida e começas a suar da palma das mãos.
E respondes com um tom de voz agressivo ao cliente, dizendo que se não respondeste ainda é porque não tiveste tempo.
O cliente fica mais irritado ainda e diz que já não quer o orçamento e quer falar com o teu superior hierárquico.


A autoconsciência é um conjunto complexo de informação e esta consciência surge a vários níveis: as nossas reações corporais e fisiológicas, as nossas emoções, os nossos pensamentos, as nossas intenções, os nossos objetivos e valores e o nosso conhecimento de como nós parecemos aos olhos dos outros.


Quanto maior a nossa autoconsciência, mais facilmente conseguimos ajustar as nossas respostas às outras pessoas e mais satisfatórias são as nossas interações.


Estarmos conscientes das nossas emoções e pensamentos não significa expressá-los.
O que nos permite é fazer uma escolha consciente sobre como responder ou se realmente queremos responder.

Mas só podemos fazer esta escolha se tivermos conscientes das emoções que estamos a experienciar.


Se não tivermos conscientes, em vez de agirmos com consciência, apenas reagimos automaticamente e impulsivamente.


Não estarmos conscientes dos nossos estados emocionais também nos pode colocar em sarilhos quando alguém mexe com os nossos gatilhos emocionais, com aqueles assuntos sensíveis para nós.


Podemos explodir com uma proporção completamente desadequada porque uma memória emocional foi ativada.


Estamos conscientes é a chave para um maior autocontrolo e liberdade de ação.


Muitas vezes não estamos conscientes do que estamos a sentir até que esses sentimentos comecem a ficar muito fortes.
No entanto, a verdade é que estamos sempre a sentir alguma coisa, da mesma forma que estamos sempre a pensar em algo.


Se quisermos aumentar a nossa inteligência emocional, temos que começar a prestar atenção a esta informação. Ligar-nos ao nosso self físico é onde a autoconsciência começa.


Ok, então se trabalhar a nossa autoconsciência é tão importante porque é que não estamos mais vezes autoconscientes?


A resposta mais óbvia é que a maior parte do tempo não estamos presentes para nos observarmos.

Por outras palavras, se não paramos para prestar atenção ao que está a acontecer dentro de nós e à nossa volta.


O psicólogo Daniel Gilbert diz que quase metade do nosso tempo acordado estamos em piloto automático e inconscientes do que estamos a fazer ou a sentir e a nossa mente vai divagando para outros sítios que não o momento presente.


Além de estarmos constantemente a divagar mentalmente, temos vários atalhos cognitivos que afetam a nossa capacidade de ter um entendimento correto sobre nós próprios.


Temos tendência a acreditar nas narrativas que contamos sobre nós próprios e não tanto sobre o que está realmente a acontecer.
Por exemplo, se acreditarmos que somos assertivos, podemos interpretar eventos que temos comportamentos agressivos, como comportamentos assertivos. Não reparamos que fomos agressivos e que impactamos negativamente o outro, mas pensamos que fomos assertivos na nossa comunicação.


E como é que podemos aumentar a nossa autoconsciência?


Existem várias formas, mas vou deixar aqui uma muito importante:

Perguntar o “O quê” em vez de “Porquê”.


Vou explicar para ser mais fácil compreender.
Quando as pessoas tendem avaliar os seus estados emocionais e o ambiente à sua volta, perguntam muitas vezes “Porquê”.


Por exemplo, “Porque é que estou a sentir-me tão triste? Porque é que o meu chefe gritou comigo? Porque é que isto não está a correr bem?”


No entanto, esta pergunta tende a ser pouco eficaz porque não temos acesso a muita informação a pensamentos, emoções e motivos inconscientes.


É normal enganarmo-nos nos motivos do motivo de agirmos de dada forma.

Por exemplo, se pensar “Porque é que o meu chefe gritou comigo?”e se for alguém inseguro, posso pensar que deve-se ao facto que sou mau trabalhador e não sirvo para o trabalho.

Esta pergunta pode aumentar a minha insegurança.


Então, em vez de perguntarmos “Porquê” podemos perguntar “O quê”.


Estas são mais produtivas e focam-se em objetivos futuros em vez de erros passados.


Vamos imaginar que estamos tristes no trabalho. Em vez de pensarmos “Porque é que estou triste?” que pode levar à ruminação negativa e sentir-me mais triste, posso pensar “Que situações no trabalho me estão a fazer sentir triste?”


Esta pergunta vai-nos guiar a identificar fatores que não se alinham com a nossa paixão e que nos podem estar a colocar mais em baixo e ajuda-nos a encontrar soluções para ultrapassar essas situações.

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