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O Modelo ECER

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Neste artigo vou-te falar sobre um modelo simples que nos permite entender melhor as nossas reações emocionais.

O modelo denomina-se ECER, que serve de acrónimo para Evento, Cérebro, Emoção e Reação.

Trata-se de um modelo simplificado para conseguir obter uma leitura rápida do que acontece entre os eventos com que nos deparamos no dia a dia e a nossa reação.

O modelo ECER não é um modelo fixo e único, mas sim um modelo flexível e múltiplo. Ao longo do dia, experienciamos centenas de modelos ECER, pois estamos sujeitos a inúmeros estímulos constantemente. Logicamente que não prestamos atenção a todos os estímulos, mas mesmos estímulos não processados conscientemente vão-nos influenciar.

Então como é que funciona?

São 5 passos, cada um correspondente a uma letra do acrónimo ECER.

1. Evento

O primeiro passo deste modelo é o evento. O evento é a situação, a experiência que ocorre no mundo exterior. Por exemplo, o nosso chefe grita connosco, a nossa cara-metade diz que nos ama, um acidente de carro, ver um jogo de futebol, entre outros. Tudo isto são eventos.

Estes eventos são experienciados por nós através dos cinco sentidos: visão, audição, tato, cheiro e paladar.

2. Cérebro Emocional

Após recebermos esta informação do mundo exterior, através dos cinco sentidos, a primeira câmara de compensação é o cérebro emocional.

Este cérebro vai analisar e comparar esta nova informação com toda a informação que temos e que nem sabemos que temos, já que é processada ao nível subconsciente. Dou nota que cada emoção pode ativar redes neurais diferentes, pelo que a indicação de cérebro emocional tem como intuito ter uma leitura simples sobre o processamento da informação.

3. Cérebro Racional

Após experienciarmos o evento e a informação seguir para a primeira fase de processamento através do cérebro emocional, a informação chega ao cérebro racional, que também é conhecido por neocórtex.

Ao contrário do cérebro emocional, que possui toda aquela informação que não sabemos que sabemos, o cérebro racional opera ao nível consciente, tratando a informação que sabemos que sabemos e à qual acedemos de forma consciente.

É neste cérebro que fazemos a análise racional da informação que acabámos de receber, analisamos o passado e o futuro, formulamos teorias e direcionamos o nosso pensamento para a situação que estamos a experienciar.

Mas, atenção, se a informação vier com uma carga emocional muito elevada, o cérebro racional pode nem ser chamado a intervir no processo ou intervir de forma muito reduzida. Quando isto acontece, chama-se «sequestro da amígdala», termo científico cunhado por Daniel Goleman com base no trabalho de Joseph LeDoux, referência mundial no estudo das emoções, nomeadamente da amígdala, utiliza para descrever o processo em que o cérebro emocional «sequestra» o cérebro racional e domina por completo a situação.

Recordas-te de algum momento em que estavas completamente alterado/a emocionalmente, tal como numa discussão, numa luta ou numa situação de perigo? E, nessa situação, fizeste coisas ou disseste coisas de que depois te arrependeste completamente e, até hoje, não acreditas como é que foste capaz de fazer/dizer isso? En¬tão, aí está o «sequestro» em ação!

Este cérebro funciona perfeitamente quando a informação que vem do cérebro emocional não tem carga emocional, mas, quando tem, o cérebro racional pouco ou nada intervém.

4. Emoção

Depois de a informação do evento ser processada pelo cérebro emocional e pelo cérebro racional (este último, dependendo da carga emocional), essa informação chega até nós sob a forma de uma emoção.

Mas nota que existem aqui dois tipos de processamento: em primeiro lugar, a emoção gerada pelo cérebro emocional, pois este, ao processar a informação, comunica-a sob a forma de emoção, sendo esta uma comunicação rápida e inconsciente. E, depois, a comunicação do cérebro racional, esta, podemos dizer, sob a forma de um sentimento.

Por exemplo, imagina que estás a conduzir, atravessa-se um carro na tua frente e quase tens um acidente. De início, podes ficar com raiva (é o reflexo do cérebro emocional) e, posteriormente, após pensares sobre a situação, podes sentir-te irritado.

5. Reação

Em termos de reação interna, o ritmo cardíaco e a pressão arterial aumentam, os músculos ficam mais tensos, a respiração mais rápida. Depois, vem a reação externa, que poderá ser uma postura corporal mais agressiva, como gritar. Agora, quero que, com base neste modelo, olhes para várias situações da tua vida. Vais aperceber-te de que, embora o acontecimento seja idêntico, a reação é diferente de pessoa para pessoa.

Por exemplo, nesta situação da discussão do casal, embora o acontecimento seja o mesmo (a mulher grita com o marido), consoante o tipo de informação que é processado pelo cérebro emocional e pelo cérebro racional, a reação pode ser diferente, certo? O marido tanto pode reagir com calma e não se irritar, como pode gritar e gesticular. Vamos transpor o modelo para o mundo do futebol. Imagina que alguém chega ao pé de ti e diz: «O Benfica é o maior clube do mundo!» Se fores benfiquista, vais sentir uma emoção agradável e a tua reação vai ser positiva, poderás até considerar a pessoa um espetáculo, sorrir e concordar, entre outras reações.

Por outro lado, se fores um aficionado/a de um clube rival, vais sentir uma emoção desagradável e a tua reação vai ser negativa. Podes não gostar da pessoa, gritar, insultar e discordar, entre outras reações. Contudo, podes também ser alguém que não se interessa por futebol e, aí, a tua emoção poderá ser neutra e a tua reação também ser de indiferença. Mal leste a frase que escrevi, e consoante um dos três casos, deves ter experienciado alguma destas emoções. Isto para dizer o quê? Que temos de ter consciência de que, embora o evento possa ser o mesmo, a pessoa ao lado pode ter reações completamente diferentes das nossas.

Geralmente, temos a tendência de julgar rapidamente as pessoas que têm reações opostas às nossas, mas o que não percebemos, muitas vezes, é que as reações diferentes têm que ver com toda a experiência acumulada de vida, crenças e valores, ou seja, o cérebro emocional e o cérebro racional dessas pessoas têm um «filtro» diferente do nosso.

A maior parte das discussões, conflitos e guerras deve-se ao choque de realidades, mas se tivermos em mente como é que processamos a informação do mundo exterior, se tivermos consciência deste modelo, percebemos que cada um tem uma realidade diferente, que o mundo não é igual para todos e que temos de respeitar isso.

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